sábado, 2 de fevereiro de 2013


Se Helena apartar / do campo seus olhos



mote seu

Se Helena apartar
do campo seus olhos,
nascerão abrolhos.

voltas

A verdura amena,
gados que pasceis,
sabei que a deveis
aos olhos d' Helena.
Os ventos serena,
faz flores d' abrolhos
o ar de seus olhos.
Faz serras floridas,
faz claras as fontes...
Se isto faz nos montes,
que fará nas vidas?

Trá-las suspendidas,
como ervas em molhos,
na luz de seus olhos.
Os corações prende
com graça inumana;
de cada pestana
uma alma lhe pende.
Amor se lhe rende
e, posto em giolhos,
pasma nos seus olhos.

Luís de Camões

·         Vilancete em redondilha menor (5 sílabas), com mote de três versos, que se desenvolve em 3 voltas de sete, segundo o esquema rimático: ABB-CDDCCBB (rima emparelhada e interpolada). O último verso do mote não se repete no fim de cada volta.

Olhos de Helena Natureza

·         Os primeiros doze versos (incluindo o mote) – efeitos dos olhos de Helena na natureza: a verdura dos campos, a serenidade dos ventos, a transformação dos abrolhos em flores, o florescimento das serras e a claridade das fontes.

·         Os gados pastam nos campos, cuja beleza e verdura são devidos à magia do olhar de Helena (vv. 4-7)

·         A paz do seu olhar serena os ventos e transforma os abrolhos em flores (vv. 8-10)

·         Os seus olhos cobrem as serras de flores e tornam claras as fontes (VV. 11-12)
Olhos de Helena – Amor

·    Os últimos doze versos, a partir de “Se isto faz nos montes (que fará nas vidas?”) – efeitos dos olhos de Helena em todos os que a veem: trazem as suas vidas suspensas e os corações presos (“de cada pestana uma alma lhe pende” e o próprio Amor (cupido) se ajoelha, rendido, perante a magia do seu olhar.
·    O olhar de helena prende os corações (vv.18-19)
·    Pende uma alma de cada pestana (20-21)
·    O amor ajoelha-se, rendido, perante a sedução do seu olhar (vv. 22-24)

Como o poeta realça a beleza de Helena

·    Todo o texto se organiza no sentido de realçar a beleza de helena, concentrada na sedução do seu olhar
·    Expressividade do adjectivo:
o   “a verdura amena” (v.4)
o   “graça inumana” (v.19)
o   “Trá-las suspendidas” (v.15)
o   “serras floridas” (v.11)
o   “faz claras as fontes” (vv. 22-24)
·    Verbos no presente do indicativo – tornam mais real e viva a presença dos olhos de Helena
o   “os ventos serena” (v.8)
o   “os corações prende” (v.18)
o   “Amor se lhe rende […] pasma nos seus olhos” (vv. 22-24)
·    Futuro – a) – para exprimir os efeitos desastrosos do eventual afastamento dos olhos de Helena (“nascerão abrolhos” – v.13) – b) – para sugerir de uma forma dubitativa os seus efeitos nos homens (“Que fará nas vidas” – v. 114)
·    Hipérbole
o   “de cada pestana / uma alma lhe pende” (vv. 20-21)
o   “A verdura amena, / gados, que pasceis, / sabei que a deveis/ aos olhos de Helena” – vv.4-8)
·    Comparação
o   “Trá-las suspendidas / como ervas em molhos”  (vv. 15-16)
·    Representação do próprio Amor em atitude de vassalagem
o   “Amor se lhe rende, / e, posto em giolhos, / pasma nos seus olhos” (vv. 22-24)


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